quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mar com Mel

Olha só
Uma história diferente
Um apego que eu não pude notar
O mar com mel, um doce ardente
Uma só dose e eu quero já me embebedar

O papo vai, o papo vem
Me perco aqui e passo só a olhar
Seu verde-azul é mais que zen
Com meu amarelo a gente vai suar

Janeiro tem calor
Depois, tem carnaval
Esse tambor só para quando for o final
Pode ser coisa boa
Pode ser muito boa
O mar tem mel/Me provoca
Será mesmo à toa? 2x

O mar com mel é doce sim
Começou com uma jujuba
(eu pensava: "longe de mim!")
Não dei bola e rolou
Ela, colombina; e eu, pierrot
O futuro não tá perto
Mas pra quê querer fazê-lo de certo?
Melhor ainda sendo assim
Porque o presente é agora/E vejo você perto de mim


Janeiro tem calor
Depois, tem carnaval
Esse tambor só para quando for o final
Pode ser coisa boa
Pode ser muito boa
O mar tem mel/Me provoca
Será mesmo à toa? 2x

...Não dei bola e rolou
Ela, colombina; e eu, pierrot...

domingo, 8 de agosto de 2010

Perfil

Essa vai ser uma tentativa de conversa. Não que das outras vezes eu não tenha conversado comigo ou com Ninguém, o leitor mais assíduo, mas dessa vez é diferente: o intuito é claramente uma conversa de mim comigo mesmo, não ficando, portanto, essa classificação como uma mera consequência, mas sim como uma premissa. Enrolado, não? Sim. Tal como algumas premissas que levamos pra vida, inexplicáveis, culturais, apegadas.
Sinceramente, existe uma admiração enorme de minha parte com relação às pessoas desapegadas. Digo "desapegadas" não me referindo àqueles que não conhecem o valor das amizades, dos momentos, das coisas materiais. Dessa vez, refiro-me à sabedoria intrínseca à qualidade de flexibilizar esses valores, ou melhor, de flexibilizar-se nos diversos momentos em que esses valores se fazem, ou não, presentes. Faz pouco tempo que li uma frase - daquele tipo clichê impactante - cuja ideia central era realmente uma verdade: "somente a mudança é permanente"; somente a mudança é permanente... Constantemente, mudamos. Nada, que não a mudança, é permanente. Esse fato me mostra a existência de riqueza, seja lá de que natureza for, em todo lugar, e, ainda por cima, grita como protesto ao preconceito.
O preconceito é muito triste. Todos somos sujeitos a ele, seja ativa ou passivamente, mas a supracitada permanente mudança pode reduzí-lo, só depende da maneira com a qual ela é usada. O preconceito é a opinião ignorante, é gelado, é, por vezes, infelizmente contagioso. Ele blinda as pessoas de qualquer tipo de vontade de conhecer o novo, de criar interesses, de crescer. O preconceito é muito triste.
Numa síntese, desapego e preconceito são conceitos que andam em caminhos divergentes. Tenho certeza de que estou longe do desapego total, bem como longe do preconceito nulo, mas cada vez mais tento chegar a esse objetivo. O que faz dele um ótimo objetivo é, em parte, também o fato de ele nunca conseguir ser alcançado.
Cada indivíduo é fonte, é riqueza. Por isso, importantes são tanto os momentos em grupo, de troca interpessoal, quanto os solitários. A troca intrapessoal é de potencial imensurável. Ela organiza as questões que só você consegue ver. Ultimamente, tenho dado passos na solidão, mas, amanhã, precisarei ao meu lado daquela que faça com que meus passos não sejam dados no chão. Tudo muda. Poeticamente, tudo é uma transformação.

domingo, 18 de julho de 2010

O condado de Mr. Heart

Aquele não era um momento feliz. Não era também triste. O cenário era seco. Algumas folhas, também secas, se arrastavam azuladas pelo chão. Talvez, fosse outono, talvez simplesmente criação minha. A cidade, toda, estava parada, com as janelas fechadas, com as portas trancadas, com os carros abandonados... Esses sim, de portas e vidros entreabertos. Não havia dinâmica. Consequentemente, qualquer tipo de barulho era inexistente, salvo o de minhas botas ao andar no marco-zero daquela cidade. Aquele não era um momento feliz, mas também não era um momento triste.
Subitamente, ouvi o som de um sino. Percebi, ao fundo, então, uma Igreja, cujo sino estava realmente a funcionar. O som do sino era tudo que ouvia. O som do sino parecia ser a única coisa viva daquela cidade além de mim. Após o soar acústico – mas não por isso pouco estridente -, os fios dos postes mostravam, num tom fantasioso como o do conto de Alice no país das maravilhas, a única coisa que sabiam fazer. Eles conduziam a eletricidade. Rápida e subsequentemente, uma contração no céu dessa cidade, ou melhor, na abóbada desse local, aconteceu. Parecia um terremoto às avessas. Um aumento de pressão altamente caótico vindo de cima para baixo. Eis, portanto, a loucura de meu relato: no marco-zero em que estava, um enorme buraco se abriu no chão, fato que, quando somado a esse estranho fenômeno sideral, implicava numa sucção de mim e de tudo que havia ao meu redor como a água que desce pelo ralo de uma pia cheia. Foi turbulento. Nada agradável, é verdade. No entanto, não posso deixar de contar que foi interessante. Com o sentimento contínuo de um déjà vu, me encontrava numa outra cidade, sem mais nem menos.
Dessa vez, ainda mais rápido que na cidade anterior, um outro terremoto aconteceu, porém não às avessas. Esse era mais coerente. Novamente com aquele sino ao fundo, com aqueles postes balançando, com aquela eletricidade visivelmente passando pelos fios... Bastou piscar e lá estava eu, sem saber em qual cidade, num túnel de proporções extensas e percurso sinuoso. Cada vez mais esse túnel se afunilava. As folhas azuladas ainda me seguiam. O túnel que, antes, dividia-se em vários outros túneis e “tunelículos” secundários na medida em que se afunilava, agora vai de novo se formando. Suas características não são exatamente iguais, mas ele ia se formando. Chego àquela primeira cidade antes de conseguir relfletir muito sobre tudo que sofri nesse louco percurso. Ali, tudo era igual, com apenas duas exceções: o marco-zero e a disposição das coisas. Como era tudo igual se a disposição das coisas era diferente? Era sim diferente, mas com uma lógica. Parecia que tinham posto um espelho ao lado daquela cidade e criado, então, essa nova. Eu estava, portanto, na imagem da cidade. O marco-zero, um pouco menor que o outro, se abriu. O terremoto já ocorrera sem eu nem conseguir descrevê-lo. A segunda cidade era também uma imagem. Não estou conseguindo discernir bem as coisas, apenas que as folhas secas agora eram amarelo-avermelhadas.
Não estava conseguindo discernir bem as coisas, não consigo discernir bem as coisas... Que coisas? Embora não saiba exatamente o que sinto agora por toda essa confusão que não consigo decifrar, reajo psicologicamente de forma a achar que já estive aqui, nessa cidade de cenário seco e folhas amarelo-avermelhadas pelo chão. Parece um déjà vu. Se apagaram minha memória, eu não sei. Não faço questão também de saber, afinal esse não é um momento feliz, mas também não é triste. Porém, caso alguém queira tentar entender esse sentimento, tenho apenas uma informação, um nome... Mr. Lung.

domingo, 23 de maio de 2010

...

Há um bom tempo insisto em dizer pra mim que deveria fazer mais o que gosto. Gostar é um ato que se encaixa numa gama bem ampla de coisas a se fazer, mas o gostar ao qual me refiro é o gostar real e profundo, com paixão, daqueles que conseguimos ver apenas nos olhos de quem gosta do que está fazendo.
Sem querer me comparar a ninguém, muito menos àquele mestre que outrora falava da chama & do amor infinito que ela continha, sinto-me confortável ao chegar a conclusão de que, na verdade, essa ilusão na qual inevitavelmente nos inserimos só se faz agradável, diante a realidade lógica e "absoluta" imposta, quando a paixão se faz presente. Não interessa, como Vinícius demonstrava em seus atos, se você se apaixona uma, duas, três, dez vezes pelas pessoas, livros, músicas e assuntos de sua vida; interessa que você esteja apaixonado.
Na tentativa de entender outras questões, também psicológicas, da natureza humana, estive, outro dia mesmo, no Museu de Imagens do Inconsciente, anexado ao, infelizmente, quase falido Hospital Nise da Silveira. Fui pra lá como resultado do fluxo de mais um de meus ensinamentos médicos, mas, para minha surpresa, me deparei com um mar tão rico de conhecimentos não puramente descritivos que me deixei entender tudo que podia acompanhar naquele lugar. Não divaguei; mostrei, apenas, o contexto sine qua non para a ratificação, talvez com algo acrescido, daquilo que Vinícius já tinha me ensinado. O detalhe que deixara tudo ainda melhor é que fora um aprendizado num lugar inesperado, a partir de alguém totalmente inesperado.
Conheci, nesse museu, José, paciente antigo do hospital. José sofria de uma psicose preenchida por energia e muitas manias, que o faziam lançar suas ideias ininterruptamente. José acima de tudo era um artista. Descobriu tal qualidade ao mostrar a evolução de seu quadro patológico a partir dos quadros que pintava, resultado da terapia por meio de expressões artísticas, introduzida pela Dra. Nise. Encontrou a mim e a todo o grupo que pelo museu passava por acaso, mas por lá nos acompanhou até o final da exposição e fez questão de explicar suas obras. Cada linha e cada cor tinham explicações. O artista José se remetia sempre a uma voz, supostamente a sua orientação de vida. Falava ainda que se existiam tantas explicações, tudo era por conta de que "a voz dava o enredo". Foi aí que o vital aprendizado ocorreu: em meio a todo aquele enredo de sua vida e representação de vida, que eram seus quadros, José falou que são várias as maneiras de lidar com a ilusão que nos rodeia, mas que o interessante mesmo é como encaramos o quesito da fidelidade. Não se tratava somente daquela fidelidade limitada a uma relação a dois, mas todo e qualquer tipo de fidelidade. "Não é uma questão egoísta, mas para se ter uma mente saudável, conceito relativo a meu ver - afinal, muitos ainda me chamam de doente da cabeça -, não é necessário nenhum mistério, apenas ser fiel a você mesmo."
A complementação da importância de manter-se apaixonado pelo que faz, então, é o argumento para tal: me apaixono várias vezes sim, pois sou fiel a mim mesmo. Minha pergunta, como não podia deixar de faltar, é só uma: se eu me traio, quer dizer que eu não me apaixonei de novo?
C'est la vie, c'est la vie...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sabiamente tolo sem escutar Grande Otelo

Por que não paro de assim olhar-te e vou a você definitivamente cuidar da vida?

És videira, és uva...
És vinho.
Renovas doce a chama ora esquecida.

É tolice olhar pra trás e ver com os olhos de hoje.
Mas tolo que sou, olho
E não paro de ver o que não houve.

Passo por uma transformação interna
De maneira alguma suprimida,
Embora calado a tenha aqui
Um metabolismo subjetivo, um rascunho de uma ferida.

É estranho. Traio, mas não me traio.
Minto, mas me desminto.
Ensaio, e é com você que ensaio.

És videira, és uva...
És vinho.
A interpretação é tua
A viticultura é minha.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Amarelo

Tênis amarelo, árvore azul
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus

Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz

É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada

É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada

Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida

É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço

Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso

Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso

Tênis amarelo, árvore azul
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus

Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz

É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada

É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada

Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida

É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço

Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso

É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada

É tudo, cachoeira que seduz
Banho verde, água luz
Daram, daram/ Daram, daram...

É nada, o carro, o vento e a estrada
Casamento Queijo & Goiabada
Daram, daram/ Daram, daram... Ê, ê!

Adorar

Um bom vinho
À noite e o luar
Desejei assim, não sei se vai rolar

Existe história com início, meio e fim
Não consiguirei fugir
Vai ter que ser assim

Antes dava, agora acabou
"Só quero minha vida"
Assim você pensou

A vingança nunca pede um fim
Quem sabe volto a amar
Com você longe de mim

Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular

O barco anda
O rio segue o curso
Negar não dá
Continuar seria um abuso

Ao invés disso, olho para o céu
Universo paralelo
Verd'azul do tipo rel

Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular