Quantas vezes falei "vocês", quando, na verdade, queria "você" - tire as aspas de seus ombros se quiser. Quantas vezes pude ser feliz e adiei. O simples fato de, erroneamente, achar um momento futuro mais próprio me fez perder o que sempre quis: dizer "você".
Quem me entendesse tão bem, nunca encontrei. A melhor tarde de minha vida, foi com você que passei, ou, pelo menos, seria. Desejo-te tudo, desejo-te o bem, contudo parece que não mais faço parte desse seu lado também, talvez por não me impor na hora certa, talvez porque não convém.
Soube mais de ti. Hoje, sei menos. Aqueles dias passaram, mas minh'alma não apaga as lembranças que temos. Proso e a alguns poetas tento imitar, seria possível numa rima simples e pobre te amar?
Acredite, o banco no qual sentávamos viu toda a historinha passar. Ele disse que não foi descuido, mas que foi intenção de amar. Ao menos, de um lado assim a história se sucedeu, mas o que passou, passou, e, portanto, deu no que deu. Não sou um eu-lírico atrás de uma amada ideal que a mim não conhece, sou a arte da parte de sua vida que, sempre que lembrada, te enobrece.
Com "você", passei de circo a um mero palhaço, mas observo e tenho calma, o que, obviamente, não faz de meu coração aço.
Sentindo saudade de ti, peço que não suma. Seus olhos piscando me dão um sentimento único, a mesma imprevisibilidade de seu interior, o planar de uma pluma.