Há um bom tempo insisto em dizer pra mim que deveria fazer mais o que gosto. Gostar é um ato que se encaixa numa gama bem ampla de coisas a se fazer, mas o gostar ao qual me refiro é o gostar real e profundo, com paixão, daqueles que conseguimos ver apenas nos olhos de quem gosta do que está fazendo.
Sem querer me comparar a ninguém, muito menos àquele mestre que outrora falava da chama & do amor infinito que ela continha, sinto-me confortável ao chegar a conclusão de que, na verdade, essa ilusão na qual inevitavelmente nos inserimos só se faz agradável, diante a realidade lógica e "absoluta" imposta, quando a paixão se faz presente. Não interessa, como Vinícius demonstrava em seus atos, se você se apaixona uma, duas, três, dez vezes pelas pessoas, livros, músicas e assuntos de sua vida; interessa que você esteja apaixonado.
Na tentativa de entender outras questões, também psicológicas, da natureza humana, estive, outro dia mesmo, no Museu de Imagens do Inconsciente, anexado ao, infelizmente, quase falido Hospital Nise da Silveira. Fui pra lá como resultado do fluxo de mais um de meus ensinamentos médicos, mas, para minha surpresa, me deparei com um mar tão rico de conhecimentos não puramente descritivos que me deixei entender tudo que podia acompanhar naquele lugar. Não divaguei; mostrei, apenas, o contexto sine qua non para a ratificação, talvez com algo acrescido, daquilo que Vinícius já tinha me ensinado. O detalhe que deixara tudo ainda melhor é que fora um aprendizado num lugar inesperado, a partir de alguém totalmente inesperado.
Conheci, nesse museu, José, paciente antigo do hospital. José sofria de uma psicose preenchida por energia e muitas manias, que o faziam lançar suas ideias ininterruptamente. José acima de tudo era um artista. Descobriu tal qualidade ao mostrar a evolução de seu quadro patológico a partir dos quadros que pintava, resultado da terapia por meio de expressões artísticas, introduzida pela Dra. Nise. Encontrou a mim e a todo o grupo que pelo museu passava por acaso, mas por lá nos acompanhou até o final da exposição e fez questão de explicar suas obras. Cada linha e cada cor tinham explicações. O artista José se remetia sempre a uma voz, supostamente a sua orientação de vida. Falava ainda que se existiam tantas explicações, tudo era por conta de que "a voz dava o enredo". Foi aí que o vital aprendizado ocorreu: em meio a todo aquele enredo de sua vida e representação de vida, que eram seus quadros, José falou que são várias as maneiras de lidar com a ilusão que nos rodeia, mas que o interessante mesmo é como encaramos o quesito da fidelidade. Não se tratava somente daquela fidelidade limitada a uma relação a dois, mas todo e qualquer tipo de fidelidade. "Não é uma questão egoísta, mas para se ter uma mente saudável, conceito relativo a meu ver - afinal, muitos ainda me chamam de doente da cabeça -, não é necessário nenhum mistério, apenas ser fiel a você mesmo."
A complementação da importância de manter-se apaixonado pelo que faz, então, é o argumento para tal: me apaixono várias vezes sim, pois sou fiel a mim mesmo. Minha pergunta, como não podia deixar de faltar, é só uma: se eu me traio, quer dizer que eu não me apaixonei de novo?
C'est la vie, c'est la vie...
domingo, 23 de maio de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Sabiamente tolo sem escutar Grande Otelo
Por que não paro de assim olhar-te e vou a você definitivamente cuidar da vida?
És videira, és uva...
És vinho.
Renovas doce a chama ora esquecida.
É tolice olhar pra trás e ver com os olhos de hoje.
Mas tolo que sou, olho
E não paro de ver o que não houve.
Passo por uma transformação interna
De maneira alguma suprimida,
Embora calado a tenha aqui
Um metabolismo subjetivo, um rascunho de uma ferida.
É estranho. Traio, mas não me traio.
Minto, mas me desminto.
Ensaio, e é com você que ensaio.
És videira, és uva...
És vinho.
A interpretação é tua
A viticultura é minha.
És videira, és uva...
És vinho.
Renovas doce a chama ora esquecida.
É tolice olhar pra trás e ver com os olhos de hoje.
Mas tolo que sou, olho
E não paro de ver o que não houve.
Passo por uma transformação interna
De maneira alguma suprimida,
Embora calado a tenha aqui
Um metabolismo subjetivo, um rascunho de uma ferida.
É estranho. Traio, mas não me traio.
Minto, mas me desminto.
Ensaio, e é com você que ensaio.
És videira, és uva...
És vinho.
A interpretação é tua
A viticultura é minha.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Amarelo
Tênis amarelo, árvore azul
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus
Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida
É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
Tênis amarelo, árvore azul
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus
Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida
É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, cachoeira que seduz
Banho verde, água luz
Daram, daram/ Daram, daram...
É nada, o carro, o vento e a estrada
Casamento Queijo & Goiabada
Daram, daram/ Daram, daram... Ê, ê!
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus
Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida
É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
Tênis amarelo, árvore azul
Todos tiram a roupa
E dançam quase nus
Quase nus
Mandala da floresta,
Cachoeira que seduz
Banho que é verde
Água que é luz
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
Essa minha saudade de nuvem ensandecida
É de outro tempo
É de outra vida
É braço, são abraços
Te levo para o canto
E te mostro o meu espaço
Meu abraço, o seu abraço
Somo, multiplico
O que dá um grande amasso
É tudo, é quase nada
Um beijo
Uma mente
Um rastro de estrada
É tudo, cachoeira que seduz
Banho verde, água luz
Daram, daram/ Daram, daram...
É nada, o carro, o vento e a estrada
Casamento Queijo & Goiabada
Daram, daram/ Daram, daram... Ê, ê!
Adorar
Um bom vinho
À noite e o luar
Desejei assim, não sei se vai rolar
Existe história com início, meio e fim
Não consiguirei fugir
Vai ter que ser assim
Antes dava, agora acabou
"Só quero minha vida"
Assim você pensou
A vingança nunca pede um fim
Quem sabe volto a amar
Com você longe de mim
Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular
O barco anda
O rio segue o curso
Negar não dá
Continuar seria um abuso
Ao invés disso, olho para o céu
Universo paralelo
Verd'azul do tipo rel
Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular
À noite e o luar
Desejei assim, não sei se vai rolar
Existe história com início, meio e fim
Não consiguirei fugir
Vai ter que ser assim
Antes dava, agora acabou
"Só quero minha vida"
Assim você pensou
A vingança nunca pede um fim
Quem sabe volto a amar
Com você longe de mim
Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular
O barco anda
O rio segue o curso
Negar não dá
Continuar seria um abuso
Ao invés disso, olho para o céu
Universo paralelo
Verd'azul do tipo rel
Seus atos inconsequentes
Me fazem repensar
O que está em jogo logo por trás
Meu vinho e o luar
Meus atos são a favor da maré
Desculpe se você chorar
Essa vida só se traduz
Num teatro espetacular
domingo, 13 de setembro de 2009
Caso Poligâmico
Antes de tudo, eu quero dizer que estou puto. Puto por uma série de coisas que enchem meu saco durante o dia-a-dia das quais se alguém ousa falar a respeito, “Meu Deus! Que pecado! Esse rapaz não é de Jesus.”. Pois é. Meu nome é Henry Pierrot Want’ass ( já viram que qualquer maluquice é mero fruto de minhas origens e, portanto, não me culpem por essa mistura Franco-Britânica!), tenho 34 anos e possuo o que, infelizmente, a justiça considera uma Relação Estável. Mas que merda, ein?!?! Sabes o que quer dizer uma R.E? Queria eu que fosse um simples Retículo Endoplasmático que fizesse jus aos meus ensinamentos médicos, mas não. “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, diziam Vinícius, Toquinho e Tom. Relação Estável é aquela em que uma mulher já pode levar metade de tudo, eu disse de TUDO, o que é seu por conta do tempo em que vocês estão juntos – no mínimo 4 anos – se houver um desentendimento e conseqüente separação(caralho! O que é esse intervalo de tempo?!?!? Sim. Bastante coisa, mas determinantes a você perder tanto?). Eu estou puto. Acabo de completar 4 anos com minha merenda.
O assunto do qual eu falava anteriormente, mal visto por algumas pessoas, é simples: a Poligamia. A escrevo com letra maiúscula não por acaso, mas pela grandiosidade que ela compõe, transcreve, transcende... É uma física simples, confundida com uma metafísica complexa. A natureza humana instintivamente nos mostra, nos insinua, nos leva à Poligamia. Ora olhamos um desejo novo, um jeans bacana ou um corte frontal superior de uma camisa legal, ora sentimos o entrelaçar de perfumes, de olhares, de jeitos, em que obviamente temos parcialmente inserção no processo. A monotonia, por outro lado,...(Epa! Perdão.) A monogamia, de forma contrária, nos impede de exercer nossas qualidades inatas, de irmos atrás do que queremos com ambição, assim como fazemos com nossas questões profissionais, mas, dessa vez, com o outro, com nossos cônjuges, sejam passageiros ou... Sempre passageiros.
Minha idéia consiste no seguinte: caso poligâmicos fôssemos, o tempo real em que estivéssemos com cada um(a) de nossos(as) parceiros(as) seria o mesmo para completar-se uma Relação Estável – leia-se: 4 anos - , no entanto, como seriam 2 ou mais parceiros(as) e contando com que ninguém fizesse a enorme besteira de maldade incalculável de unir-se com esses(as) 2 ou mais parceiros(as) ao mesmo tempo, o tempo estimado para que houvesse uma relação estável com ambos ou múltiplos lados seria proporcional ao número de pessoas com quem você se relaciona. Isto é, caso fossem 2, 8 anos, caso fossem 3, 12 anos, e assim por diante... É simples, fácil, prático e, mais do que tudo, lindo (leitor, pare com isso de começar a deixar sua cabeça falar que eu não sou um menino de Jesus... Seja sincero, não seja hipócrita!).
Outro dia, cheguei no supermercado para fazer a compra da semana. Lá, deparei-me com uma moça sobre a qual eu conceituaria como modesta, se é que me entende. Era carrinho pra lá, carrinho pra cá, sabonete, carne, refrigerante... Quando eu estava na seção das bugigangas elétricas, eu a vi segurando em um consolo. Para os menos malandros, tratava-se de um vibrador, daqueles! Não me contive. Abaixei os óculos, olhei para os lados, certifiquei-me de que não havia problema e fui até a senhora conversar. Primeira coisa: eu não fui até a senhora como um possível futuro amante ou algo do tipo, afinal tenho 4 anos com minha anexa, minha relação é estável e, se eu der mole, perco a porra toda! Segunda: ratificando minha experiência, acertei que era uma senhora e, não, uma senhorita pelo fato de ter aproximadamente a minha idade e estar pegando num vibrador. Ou seja, seu marido com certeza já estava na fase da barriga grande, que não comparece e, uma vez ou outra, quando dá umazinha já se encontra no estado do come&dorme. Cheguei, com jeito, olhei uma lanterna, puxei um papo, pedi que não ficasse envergonhada pelo que estava fazendo e lancei minha teoria. Não deu outra! Não houve nem desenrolo, apenas uma explicação teórica e o ar estava impregnado por uma pseudo-sedução por ela não muito bem compreendida. Ela não parava de concordar comigo, de sorrir com minhas palavras, de ajeitar seus cabelos lisos escuros daquele jeito, de falar que estava com calor e essas coisas. Até que o clímax de nossa conversa passageira chegou: ela avançara completamente o sinal, esquecera seu marido, e começara a alisar meu rosto, dando um toque especial às minhas orelhas. Não quis ser rude, muito menos grosseiro, mas a trouxe novamente para o mundo real, dei-lhe palavras consideradas de sabedoria pela sociedade medíocre e falei “em alguns minutos, você volta a ser monogâmica, agora pára de alisar minha orelha”. Eu, ein?! Você acha mesmo que quero perder metade de tudo o que tenho? Jamais.
O assunto do qual eu falava anteriormente, mal visto por algumas pessoas, é simples: a Poligamia. A escrevo com letra maiúscula não por acaso, mas pela grandiosidade que ela compõe, transcreve, transcende... É uma física simples, confundida com uma metafísica complexa. A natureza humana instintivamente nos mostra, nos insinua, nos leva à Poligamia. Ora olhamos um desejo novo, um jeans bacana ou um corte frontal superior de uma camisa legal, ora sentimos o entrelaçar de perfumes, de olhares, de jeitos, em que obviamente temos parcialmente inserção no processo. A monotonia, por outro lado,...(Epa! Perdão.) A monogamia, de forma contrária, nos impede de exercer nossas qualidades inatas, de irmos atrás do que queremos com ambição, assim como fazemos com nossas questões profissionais, mas, dessa vez, com o outro, com nossos cônjuges, sejam passageiros ou... Sempre passageiros.
Minha idéia consiste no seguinte: caso poligâmicos fôssemos, o tempo real em que estivéssemos com cada um(a) de nossos(as) parceiros(as) seria o mesmo para completar-se uma Relação Estável – leia-se: 4 anos - , no entanto, como seriam 2 ou mais parceiros(as) e contando com que ninguém fizesse a enorme besteira de maldade incalculável de unir-se com esses(as) 2 ou mais parceiros(as) ao mesmo tempo, o tempo estimado para que houvesse uma relação estável com ambos ou múltiplos lados seria proporcional ao número de pessoas com quem você se relaciona. Isto é, caso fossem 2, 8 anos, caso fossem 3, 12 anos, e assim por diante... É simples, fácil, prático e, mais do que tudo, lindo (leitor, pare com isso de começar a deixar sua cabeça falar que eu não sou um menino de Jesus... Seja sincero, não seja hipócrita!).
Outro dia, cheguei no supermercado para fazer a compra da semana. Lá, deparei-me com uma moça sobre a qual eu conceituaria como modesta, se é que me entende. Era carrinho pra lá, carrinho pra cá, sabonete, carne, refrigerante... Quando eu estava na seção das bugigangas elétricas, eu a vi segurando em um consolo. Para os menos malandros, tratava-se de um vibrador, daqueles! Não me contive. Abaixei os óculos, olhei para os lados, certifiquei-me de que não havia problema e fui até a senhora conversar. Primeira coisa: eu não fui até a senhora como um possível futuro amante ou algo do tipo, afinal tenho 4 anos com minha anexa, minha relação é estável e, se eu der mole, perco a porra toda! Segunda: ratificando minha experiência, acertei que era uma senhora e, não, uma senhorita pelo fato de ter aproximadamente a minha idade e estar pegando num vibrador. Ou seja, seu marido com certeza já estava na fase da barriga grande, que não comparece e, uma vez ou outra, quando dá umazinha já se encontra no estado do come&dorme. Cheguei, com jeito, olhei uma lanterna, puxei um papo, pedi que não ficasse envergonhada pelo que estava fazendo e lancei minha teoria. Não deu outra! Não houve nem desenrolo, apenas uma explicação teórica e o ar estava impregnado por uma pseudo-sedução por ela não muito bem compreendida. Ela não parava de concordar comigo, de sorrir com minhas palavras, de ajeitar seus cabelos lisos escuros daquele jeito, de falar que estava com calor e essas coisas. Até que o clímax de nossa conversa passageira chegou: ela avançara completamente o sinal, esquecera seu marido, e começara a alisar meu rosto, dando um toque especial às minhas orelhas. Não quis ser rude, muito menos grosseiro, mas a trouxe novamente para o mundo real, dei-lhe palavras consideradas de sabedoria pela sociedade medíocre e falei “em alguns minutos, você volta a ser monogâmica, agora pára de alisar minha orelha”. Eu, ein?! Você acha mesmo que quero perder metade de tudo o que tenho? Jamais.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Pois é...
“Pois é...”. Será que existe expressão alguma que signifique tanto? Acho que não. “Pois é” para uma concordância, “pois é” para um fato triste, “pois é” para a mudança na ordem de coisas que se sucedem, para uma vicissitude. A quebra na rotina diz mais do que deixar de fazer algo antes feito ou passar a fazer novidades, ela mostra a imprevisibilidade e a surpresa pelas quais as atitudes viris do “eu” podem passar. Tratam-se da aceitação e execução das vontades que o interior de cada um, constantemente, esconde. Etiqueta, postura, modos, exemplo de boa educação – a meu ver, altamente relativo - : não sou contra a criação de tais fatores e/ou invenções que regem a convivência, no entanto desvirtuo o meu pensamento e canalizo meus esforços para a flexibilidade, para a coerência em ser incoerente e para a moderada desordem, fator sem o qual fatos e fenômenos brilhantes e precisamente bem organizados não aconteceriam. – Tem noção, por exemplo, de qual é a ordem de grandeza relacionada às sinapses nervosas que ocorrem em, praticamente, meia dúzia de milissegundos para que haja um simples movimento muscular? Vai dizer-me que a troca de substâncias e componentes entre os milhões de neurônios nesse ‘significativo’ intervalo de tempo é algo considerado organizado? E o resultado? A movimentação não é algo espetacular?!–
Pois é... Aceita ou não, a explosão de sentimentos por uma vida, temporalmente falando, guardada há de acontecer, há de querer acontecer... AHHHHHHHHHH! Pronto, aconteceu. Gritei. Coisa que, há mais de meia hora, queria fazer, mas não podia pelo simples fato de a secretária do lar de minha casa estar presente e, portanto, possivelmente passar a ter medo de minha pessoa. Não me importo se ela me acha maluco, mas é que gosto da amizade dela.
Em se tratando dessas coisas controladas pelo lóbulo pré-frontal do cérebro – leia-se: emoções -, existe uma estória de um feito pirata que se adequa bem a esse descontrole (ou seria ‘melhor controle’?) em que a explosão de sentimentos se baseia. Nunca é demais alongarmos os pensamentos a mais um ponto, reunindo, portanto, intelectualmente, os diferentes pontos de vista que a vida pode mostrar e aprendendo como é importante o respeito pelo gosto daquilo que é diferente. Dessa forma...
Era um dia de sol, logo depois de uma semana conturbada oriunda da então aparente batalha incessante entre duas linhagens piratas. O navio dos piratas vencedores encontrava-se em festa, farto de comidas, metais preciosos, e com uma parada já marcada às 12:00, no porto de Saint Louis, Inglaterra. A intenção de atracar-se no porto inglês era objetiva: encher a nau de prostitutas para a satisfação geral da tripulação. Após um dia de constante orgia entre a proa e a popa do navio, passando por seu interior e pelos lugares mais inóspitos, o comandante, largando a postura que a ele era conveniente apenas por seu cargo, levantou, apenas de ciroulas, e convidou que não só a tripulação pirata, bem como as madamas que vendiam seus corpos ao sabor da maré, fizessem algo por ele sempre sonhado. Não querendo machucar os animais presentes na embarcação por conta da exorbitante quantidade alimentícia presente, "O capitão olhou para a tripulação do navio e ordenou em alto brado, "Soltem as avestruzes pelo convés! Espalhem a mostarda por todos os canhões já!". Foi então que os brutos rapazes, as moças e o comandante começaram, como se fossem crianças, uma brincadeira que lhes rendera gargalhadas como há anos não era possível. Uns sujavam aos outros. As mulheres não mais se sentiam na obrigação de terminar um trabalho a elas designado, mas sim de aproveitar um momento tão agradável, porém, moralmente, vilipendiado.
“Pois é...” aos preceitos morais. “Pois é” à felicidade sem fim. Será que existe expressão alguma que signifique tanto?
Pois é... Aceita ou não, a explosão de sentimentos por uma vida, temporalmente falando, guardada há de acontecer, há de querer acontecer... AHHHHHHHHHH! Pronto, aconteceu. Gritei. Coisa que, há mais de meia hora, queria fazer, mas não podia pelo simples fato de a secretária do lar de minha casa estar presente e, portanto, possivelmente passar a ter medo de minha pessoa. Não me importo se ela me acha maluco, mas é que gosto da amizade dela.
Em se tratando dessas coisas controladas pelo lóbulo pré-frontal do cérebro – leia-se: emoções -, existe uma estória de um feito pirata que se adequa bem a esse descontrole (ou seria ‘melhor controle’?) em que a explosão de sentimentos se baseia. Nunca é demais alongarmos os pensamentos a mais um ponto, reunindo, portanto, intelectualmente, os diferentes pontos de vista que a vida pode mostrar e aprendendo como é importante o respeito pelo gosto daquilo que é diferente. Dessa forma...
Era um dia de sol, logo depois de uma semana conturbada oriunda da então aparente batalha incessante entre duas linhagens piratas. O navio dos piratas vencedores encontrava-se em festa, farto de comidas, metais preciosos, e com uma parada já marcada às 12:00, no porto de Saint Louis, Inglaterra. A intenção de atracar-se no porto inglês era objetiva: encher a nau de prostitutas para a satisfação geral da tripulação. Após um dia de constante orgia entre a proa e a popa do navio, passando por seu interior e pelos lugares mais inóspitos, o comandante, largando a postura que a ele era conveniente apenas por seu cargo, levantou, apenas de ciroulas, e convidou que não só a tripulação pirata, bem como as madamas que vendiam seus corpos ao sabor da maré, fizessem algo por ele sempre sonhado. Não querendo machucar os animais presentes na embarcação por conta da exorbitante quantidade alimentícia presente, "O capitão olhou para a tripulação do navio e ordenou em alto brado, "Soltem as avestruzes pelo convés! Espalhem a mostarda por todos os canhões já!". Foi então que os brutos rapazes, as moças e o comandante começaram, como se fossem crianças, uma brincadeira que lhes rendera gargalhadas como há anos não era possível. Uns sujavam aos outros. As mulheres não mais se sentiam na obrigação de terminar um trabalho a elas designado, mas sim de aproveitar um momento tão agradável, porém, moralmente, vilipendiado.
“Pois é...” aos preceitos morais. “Pois é” à felicidade sem fim. Será que existe expressão alguma que signifique tanto?
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Letras bobas
Borboletas. Antes lagartas e , hoje, borboletas. Lindas, suaves e elegantes...
***
- Ué... Então, aquelas lagartas que, antes, você cultivava se tornaram essas borboletas de colorações amarela e azul?
- Exatamente.
- Elas mordem? Passam algum tipo de veneno? Vão nos comer?
- Não. Claro que não... Elas apenas vivem a vida delas. Dançam, descansam e enfeitam nosso ambiente.
- Mas que graça tem isso? Elas não fazem nada.
***
Pois é. Por que será que não se enxerga a plena paz como fonte de entendimentos? Nem tudo é guerra. Sempre existe espaço para a simplicidade da alegria, para poesia. Faço de minhas palavras um pedido de pura sinceridade em demasia.
***
- Ué... Então, aquelas lagartas que, antes, você cultivava se tornaram essas borboletas de colorações amarela e azul?
- Exatamente.
- Elas mordem? Passam algum tipo de veneno? Vão nos comer?
- Não. Claro que não... Elas apenas vivem a vida delas. Dançam, descansam e enfeitam nosso ambiente.
- Mas que graça tem isso? Elas não fazem nada.
***
Pois é. Por que será que não se enxerga a plena paz como fonte de entendimentos? Nem tudo é guerra. Sempre existe espaço para a simplicidade da alegria, para poesia. Faço de minhas palavras um pedido de pura sinceridade em demasia.
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