A vida... Complexa ela. À vida, damos a vida, tentando fazê-la a mais bela de nossas passagens. Assim que nascemos, começamos, instantaneamente, a morrer. O sentido, então, para muitos é o retardamento do final, do fechar dos olhos sem a futura luz de uma nova manhã, da morte. Vida e morte sempre andaram juntas, fato do qual grande parte das pessoas discorda ou, pelo menos, faz força para não acreditar nele. Particularmente, sendo um mero observador das atitudes das pessoas para com o mundo, vejo que a felicidade, fator intrínseco para a tão desejada vida de qualidade, vem sendo esquecida no excesso de trabalho, na preocupação com os detalhes supérfluos da vida alheia e, principalmente, na distorção da própria. Não se trata do quanto os outros pensam que um indivíduo é feliz, mas, sim, de que maneira o caminho pelo qual traçamos a vida é desenhado.
Morte e Vida. A ordem não foi ao acaso invertida. Para alguns, é assim que a banda toca. Nascem, crescem, experimentam a obscuridade, e esquecem o livre arbítrio. Após um trauma, seja lá de que natureza esse faz parte, abrem-se os olhos, enxerga-se a luz de uma nova manhã e a liberdade é, pela primeira vez, degustada. O severo problema é o tempo disperdiçado para tal acontecimento... Às vezes, 40, 50 anos não são suficientes. No entanto, antes tarde do que nunca.. Um velho ditado já dizia, "dê tempo ao tempo e verás que o tempo é mais curto que o próprio tempo". Não interessa se restam apenas 5,4 ou 3 anos de vida para alguém. Interessa que se esse período for vivido com felicidade, a intensidade com a qual a vida se apresenta diz-se por completa, mostrando o quão bom é viver.
A decorrência de um bon vivant está intimamente ligada ao fundamental instrumento que faz sê-lo digno da vida: o corpo. O contínuo e insubstituível estresse que segue o homem na tentativa de construção de um bom futuro, vem consumindo essa magnífica máquina, essencial para a manutenção da vida - mens sana in corpore sano -. O futuro, com certeza, estará lá. E o presente? Para você, está presente? Nunca esqueci o futuro, mas o presente há de ser vivido. É vivendo o presente que o futuro, quando for presente, traz bons frutos. Assim como o nome diz, o presente é um presente. Tratando-o, então, como tal, a dúvida, a surpresa e a felicidade de agora fazem do presente um dom do qual todos compartilhamos.
Bem como as jóias, a vida é lapidada. Esse trabalho hercúlio e detalhista olha pra frente e objetiva o futuro. Porém, é feito no presente, o que faz desse um dos maiores maestros que essa complicada orquestra, que é a vida, pode ter. Viver o presente é deixar o maestro reger sua orquestra e lapidar minuciosamente a vida. Essa jóia, então lapidada, permite, com auxílio da harmonia e afinidade de sons da orquestra, que a luz das manhãs entre e, dispersando-se num espectro preenchido por cores, saia como um arco-íris. Ausentar o maestro, é aumentar a probabilidade do fenômeno já pela física explicado, de entrada e não saída de luz numa jóia, devido aos ângulos limites aos quais a falta de liberdade da vida é imposta.
O pensamento esboça a vida, e a vida é um emaranhado de idéias e emoções do qual todos devemos fazer parte. Uma só ilusão.
bonito, rei...
ResponderExcluirrealmente uma bela ilusão.
vivamos a vida, so.
curtamos os dias num "carpe diem" nao puramente hedonista.
São milhares de pequenas e grandes ilusões que preenchem os anos que estão entre o ínicio e o fim dos nossos caminhos. São, as ilusões, completamente necessárias para alimentar nosso viver, enfeitar nossas passagens e para que o ser humano não se torne um ser amargo e insípido. Felisberto, gostei muito do seu texto!! Fiquei muito feliz de ver que agora temos um jeito muito mais sofisticado de trocar idéias e pensamentos. [palavras suas. hahaha] Parabéns pelo blog e pelo belíssimo texto! Beijão!
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